"Enquanto eles se batem Dê um rolê e você vai ouvir Apenas quem já dizia Eu não tenho nada antes de você ser eu sou..." A vida nas cidades nesses séculos era muito mais solitária que solidária. A noção de isolamento estava fortemente impregnada na subjetividade das pessoas. No entanto, a realidade tem essa mania de, em algum momento ser mais forte que qualquer construção ideológica. Além da insatisfação das pessoas com as intempéries da vida, que desde o inverno do ano anterior, continuavam irrompendo em forma de lutas, greves e passeatas, havia o calor. Aquele era um dos verões mais tórridos que o Rio de Janeiro havia enfrentado. Em tempos de tantos individualismos, a experiência extrema de se sentir vivendo numa caldeira, era um fenômeno vivido coletivamente. Mas como tudo o que é coletivo na sociedade de classes, as elevadas cifras dos termômetros não eram vivenciadas da mesma forma pelas diferentes pessoas. Aqueles que podiam, mantinham seus...
falta voz
ResponderExcluirsobra silêncio.
Depois de ver o seu recado de aniversário com um poema de Mário de Sá Carneiro acabei achando alguns poemas dele. Eu acho que dois trechos combinam bastante com o que vc escreveu:
ResponderExcluir"A minha alma não se angustia apenas, a minha alma sangra.As dores morais transformam-se-me em verdadeiras dores físicas, em dores horríveis, que eu sinto materialmente - não no meu corpo, mas no meu espírito."
"Sim, a minha pobre alma anda morta de sono, e não a deixam dormir - tem frio, e não sei aquecer! Endureceu-me toda!secou, ancilou-se-me; de forma que movê-la - isto é: pensar - me faz hoje sofrer terríveis dores. E quanto mais a alma me endurece, mais eu tenho ânsia de pensar! Um turbilhão de idéias - loucas idéias! - me silva a desconjuntá-la, a arrepanhá-la, a rasgá-la, num martírio alucinate! Até que um dia - óh!é fatal - ela se me partirá voará em estilhaços... A minha pobre alma! A minha pobre alma!..."