terça-feira, 23 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Insights da insônia 2

Ruminações....



Conferia as postagens anteriores e, quando me dei conta, estava a divagar sobre o título de uma delas: A tênue linha ente o desejo e a razão. Acabei de fazer um trabalho sobre substâncias psicoativas, que - me perdoem o trocadilho- ficou uma droga! Mas serviu para me aproximar de um texto que, sem exagero, me deixou meio chapada.


Levei três dias para lê-lo. Cada parágrafo era uma porrada no cérebro! Falava da perda da autonomia do indivíduo sobre a intervenção em seu corpo e seu estado de consciência. Ele tinha como tema as drogas, mas a discussão de fundo era a alienação. Tenho que confessar, ainda não digeri os dois temas. Na verdade, desde que fiz um curso sobre alienação, volta e meia, me pego num certo deslumbramento com a teoria.

Fiquei loadeando um tempo sobre o tema. Alienação é estranhamento, apartamento, isolamento. Se eu estabeleço uma separação entre meu desejo e minha razão... hum... será que essa separação deveria existir mesmo? É que me lembrei de outra pseudo-dicotomia e... pimba! Outro dos meus raciocínios associativos. Mas vamos com calma, pra vocês voltarem para a poltrona ao meu lado.

A tal dicotomia, que me debato e, até tenho conseguido relativa estabilidade, é entre a razão e a emoção. Digo que tenho conseguido relativa estabilidade, porque a idéia da existência divorciada de ambas tem andado, por hora, afastada de mim. A formulação que consegui estabelecer para mim mesma pode até parecer óbvia para quem está lendo agora, e até para mim, HOJE. Não sei se vocês conseguem compreender como é difícil se desvencilhar daquela idéia de que é preciso ser sensato, racional, ter controle das situações, ser forte. Não são associações que se sustentem a algum questionamento. Mas até você chegar a fazer esse tal primeiro questionamento... Cada um tem seu tempo, não é?

Mas voltando à questão do desejo, foi por conta dessa reflexão que fiquei com uma certa pulga atrás da orelha. Será que o título do post daria como dada a alienação do ser e o desejo, como algo que não se pode se apropriar? Acho que pensar em uma linha divisória entre razão e desejo já expressa uma certa adesão à idéia de que os desejos devem sempre estar sob controle. Mas há uma diferença entre aderir em parte e ter uma concepção como a única possível.

E é esse questionamento que tenho regurgitado e guardado no cérebro e que acabei de servir a vocês. 
Talvez um dia vire energia ou adubo de nossas mentes.
Por enquanto, é só o prouto de mais uma noite de insônia.