terça-feira, 16 de dezembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A profissão mais antiga do mundo

A Rua São João é um lugar altamente comum. Como toda “Zona do Baixo Meretrício de qualquer cidade. Pelo menos é assim que a conhecia, até certa noite.
Fui com o Thiago (mais um na minha vida!) um amigo músico (mais outro!!), daqueles que não precisa muita convivência pra ter identificação. Ele estava de passagem pela cidade e foi com um amigo de infância e estudante de cinema. Após fecharmos um bar da "zona familiar" da mesma rua, fomos parar na outra ponta, que, até então era para mim, apenas uma concentração de bares "pé-sujo".
Encorajada por duas doses de Ypióca, abordei as meninas com alguma desculpa esfarrapada, que elas tiveram a sensibilidade de desconsiderar. Percebi que, por mais que a classe social demarque algumas diferenças, a opressão é meio universal. Só agora percebo que não fui movida por uma curiosidade antropológica, mas por algo muito maior, uma identificação que fez com que as perguntas não ficassem no âmbito do "como é sua vida?".
O segundo assunto abordado foi o abuso sexual sofrido em algum momento da vida e cometido por familiares. E ele não foi motivo de espanto ou dor. Foi recebido com identificação, naturalidade e relato de experiências. Foi a primeira vez que compartilhei realmente essa experiência, que é muito mais comum do que se imagina. Muitas vezes, a primeira vez que, sexualmente uma mulher é desconsiderada como ser humano e tratada como objeto.
Percebi também que, ser aquilo que é considerado a escória da sociedade, nem sempre é consciente ou uma escolha. Pode ser somente a única saída viável para quem tem filhos para criar e teve muitas situações que a fizeram chegar à conclusão do lugar que a sociedade lhe reserva.
Após mais algumas identificações, fui indagada se já havia caído em tal “vida”. Revelei, ao mesmo tempo em que me dava conta, que essa possibilidade sempre passa pela cabeça de todas as mulheres “comuns” quando as coisas ficam difíceis, mesmo que só por uma fração de segundos. Ser um objeto é muito mais corriqueiro e antigo do que a mais antiga das profissões. Tanto quanto ser mãe e, da maneira que for possível e, até mesmo impossível, sustentar e amparar o próprio filho.
Essas mulheres são tão desumanizadas, quando usadas como exemplo e ameaça para as mulheres de família” não fazerem o que desejam. São usadas como exemplo do que não se deve ser. Ou melhor, são usadas como ameaça para forçar o restante das mulheres a abrir mão de serem o que realmente são, sob pena de serem tratadas como putas. Como se fosse preciso ser paga em dinheiro por sexo, para ser prostituída. A prostituição tem muitas formas. Das mais explicitas, como essa profissão, até as mais sutis, como certos casamentos.
Tal encontro me fez comprovar o óbvio: essas mulheres, que são o objeto de ameaça para mulheres “pra casar”, são tão comuns, reais e humanas, que você poderia esbarrar com uma delas no mercado comprando leite pro filho e nem notaria. Tanto quanto poderia esbarra com uma “menina de família” se vendendo por uma carona num carrão e nem diferenciaria. A distância é muito menor do que se imagina.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A transitoriedade da auto-imagem

Não sei em qual dos dias do mês estamos. Como se tudo ficasse desfocado à medida que de mim se distancia. A realidade se apresenta cada vez mais como um borrão. Passa pela minha cabeça uma daquelas “grandes questões da humanidade”: O que é mesmo o real?

Não me refiro à realidade grandiosa da situação mundial ou da luta entre as classes. Falo de uma realidade mais cotidiana. Aquela que é construída por mim mesma e com a qual me relaciono e que inclui não somente os que ao meu redor estão, mas, principalmente, o que está no meu interior, como me vejo. Reformulando a pergunta do parágrafo anterior: Qual a fronteira entre o que sou e o que penso ser?

Após tantas rupturas de paradigmas pessoais, me sinto como um quebra-cabeças em montagem, cujo desenho e formato das peças estão em constante mudança. Quando penso que terminei de montá-lo, percebo que o desenho não é mais o mesmo e tenho que rearranjar as peças novamente. Penso que é impossível definir o meu ser em constante mudança, como uma foto captura num milésimo de segundo a complexidade de um instante.

Há anos tenho buscado a realidade do que há no meu interior, como se tudo existisse aqui alheio a mim em algum lugar oculto. Hoje, após tantas vezes me dar conta de que meus limites não estavam exatamente onde eu pensava e da descoberta de tantas capacidades que nem imaginava, tenho duvidado daquilo que vejo quando olho para dentro. Me questiono se a imagem formada não seria produto do desejo de ver somente algo que me seja suportável. Já não bastava a realidade exterior ter tantas máscaras e ilusões, elas também instalaram-se na realidade interior?

Acreditar na mentira que conto para mim mesma deixou de ser uma opção válida, assim como na mentira que outros me contam a meu respeito. Qual seria então, se é que há algum, o ponto de apoio nessa avalanche que flui em todas as direções?

sábado, 5 de abril de 2008

Boneca


Ensaio caseiro produzido pelo meu talentoso amigo André Schi. Pena que só restaram duas fotos.




quarta-feira, 2 de abril de 2008

Uma resposta

Uma criminosa,
condenada
à incompreensão alheia
pelo crime de ser
autêntica.
Julgada
segundo uma moralidade
há muito desbotada,
carcomida pela hipocrisia
e ácida na punição
de quem a ignora.
Mas não me rendo.
Subverto!!

Vai começar a brincadeira

Me rendi à modernidade dos blogs.

Não que estivesse resistindo, mas achava que não tinha o que colocar na roda. Até perceber que muito de mim permanece oculto a maior parte do tempo.

A idéia é fazer um exercício para a vida real, um estímulo que me dou para mostrar coisas que, muitas vezes não me lembro de mostrar no cotidiano. Talvez eu me habitua e mostrá-las com mais freqüência. Não sei se dará certo, mas eu estou muito disposta a fazer.