sexta-feira, 12 de agosto de 2016

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Oscilaçao


"Pedi você
Prá esperar 5 minutos só
Você foi embora sem me atender
Não sabe o que perdeu
Pois você não viu, você não viu...
Como eu fiquei"


De um lado a felicidade imensa por esse encontro tão inesperado, a surpreendente sintonia de sentimentos e a sensação de ser  plenamente compreendida a cada palavra em que tentamos traduzir nossas emoções.

Por outro lado a saudade que parece ser infinita e as vezes chega a doer.  Se instala no segundo seguinte a nos separarmos. No lugar da sua presença fica a vontade de ter de novo aqueles abraços que fazem o mundo voltar ao eixo novamente e beijos que parecem fazer fundir nossos corpos.

Tenho me sentido meio analfabeta, pois as palavras que eu pensei ter aprendido ao longo da vida parecem não servir para expressar tudo que tenho sentido.
Meu cérebro se esforça para compreender o que se passa. Questiona se isso é tudo real ou apenas uma projeção de expectativas que eu nem sabia ter.

Mas ao mesmo tempo, também pisa no freio desse zilhão de problematizações. Me manda parar de me preocupar tanto e aproveitar para ser feliz enquanto é tempo! E dá muita vontade de não ouvir nada e apenas sentir. Sentir todo esse turbilhão de emoções. De te carregar comigo por todos os lados que vou.

Mas também vou até a outra extremidade e chego a me sentir mal por essa saudade que não acaba.  Uma certa culpa por querer mais do que me é oferecido. Parece existir um descompasso entre meus sentimentos e suas iniciativas. Me sinto recebendo menos. A sobra, o resto. Não me contenta. Não me contento. Não estou mais na fase de  aceitar de bom grado pouco amor, pouca consideração. 

Não que goste de holofotes sobre mim ou seja um ser frágil que requer total atenção. Mas tenho me sentido estranha com essa falta de lugar na sua vida. Ou melhor, com essa incoerência entre seu discurso de intensa saudade e essa inércia nas iniciativas em estar presencialmente na minha vida.

Não acho que os outros amores de nossas vidas sejam um empecilho real. Sou daquelas que acredita que as relações que requerem muita proteção são frágeis. Me parece que você mesmo não tem segurança do que quer de mim, comigo e de você mesmo.

Não sei se essas palavras carregam a irracionalidade que um dia difícil traz. Só sinto que não tenho certeza se  me disponho a vivenciar  por muito tempo esse descompasso.

Nada de mais. Apenas isso...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Opinião


"Enquanto eles se batem
Dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia
Eu não tenho nada
antes de você ser eu sou..."


A vida nas cidades nesses séculos era muito mais solitária que solidária. A noção de isolamento estava fortemente impregnada na subjetividade das pessoas. No entanto, a realidade tem essa mania de, em algum momento ser mais forte que qualquer construção ideológica. Além da insatisfação das pessoas com as intempéries da vida, que desde o inverno do ano anterior, continuavam irrompendo em forma de lutas, greves e passeatas, havia o calor.

Aquele era um dos verões mais tórridos que o Rio de Janeiro havia enfrentado. Em tempos de tantos individualismos, a experiência extrema de se sentir vivendo numa caldeira, era um fenômeno vivido coletivamente. Mas como tudo o que é coletivo na sociedade de classes, as elevadas cifras dos termômetros não eram vivenciadas da mesma forma pelas diferentes pessoas. Aqueles que podiam, mantinham seus aparelhos de ar-condicionado ligados ou seus corpos em piscinas. Os que não podiam, recorriam a soluções mais artesanais, como  garrafas pets congeladas, lençóis umidecidos e uma série de outros expedientes, que a criatividade humana e conceitos de física, que não se imaginava que estavam fixados na mente das pessoas, poderiam produzir. 

As casas acumulavam o calor do sol em suas paredes, como fornos. Arejar era uma necessidade urgente. 
E foi isso que Ela fez. Partiu mais uma vez para buscar o abrigo da Serra da Mantiqueira. Esse era o lugar onde ela se permitia algo que cotidianamente não tinha muito tempo para fazer. Lá conseguia viver e, ao mesmo tempo contemplar as pessoas exercendo suas humanidadesCada uma dessas viagens para dentro de si era uma experiência única. Gente nova, diferentes situações. Ela nunca era a mesma a cada temporada. 

Dessa vez, ao encontrar as pessoas, teve a sensação de que sua reputação a precedia. Foi um tanto incomodo, pois tinha um cuidado quase obsessivo com o que deixava os outros perceberem de si. Não revelava a ninguém essa vaidade que  pensava ter: ser capaz de controlar sua imagem. Não era exatamente uma dissimulação. Apenas uma defesa que tinha transformado em brincadeira com a atenção das pessoas. Como um truque de ilusionismo, em que se chama a atenção para um movimento, enquanto acontece algo que só os olhares mais atentos da platéia podem perceber.

Na primeira noite se permitiu alguns excessos: álcool, risadas, saudade de amigos matada à base de divertidas conversas. Talvez tenham sido na medida exata que ela precisava.

Na segunda manhã, despertou após um pesadelo em que suas amigas a odiavam e não sabia o motivo. Ao abrir os olhos, a primeira imagem foi aquele menino do cheiro adocicado e suave. Ele dormia um sono leve e tranquilo. Tinha em seus ombros as marcas do lençol impressas em sua pele como uma renda Guipure. Seus olhos, agora fechados, deixavam à mostra longos e lindos cílios. Quando abertos, deixavam escapar um jeito arisco, que era cuidadosamente ofuscado por um charmoso narcisismo.

Haviam passado alguns instantes da noite anterior discorrendo sobre a experiencia de se deixar estar na palma da mão de alguém. Tentou explicar que não significava exercer algum tipo de manipulação, mas uma espécie de entrega. Ofereceu a ele a oportunidade de fazer uma experiência pedagógica. Não chegou a aplicar avaliação, mas ficou com a impressão de que ele não havia compreendido plenamente o conceito da coisa. Nada grave. Ela também não entendia quase nada do que ele dizia.

Mas a maior experiência de auto conhecimento foi uma noite de conversa,  daquelas em que você acha que está ouvindo uma história de vida,  mas quando menos espera, está num profundo processo de reflexão sobre suas próprias experiências e concepções. Aquela mulher de coragem tinha a ousadia de manter seu espírito de moça. E toda essa firmeza não a impedia de também questionar-se. Talvez fosse essa combinação entre racionalidade e impulsividade, que a possibilitava traduzir de forma tão bela, seus bem vividos anos em histórias que revelavam com uma naturalidade livre de qualquer arrogância, sua forma particular de encarar a vida.

Entre uma de muitas narrativas de sua biografia, dissertaram sobre a experiência de estar sob o crivo alheio. Ficou semanas ruminando sobre o tema. A Moça Corajosa e Ela não tinham a mesma opinião. Nunca havia pensado muito a respeito. No seu próprio julgamento, não ligava muito para o que outros pensavam dela. Se rendia ao fato de  que nunca poderia ser uma unanimidade. Apenas procurava selecionar cuidadosamente as pessoas cuja opinião importava, bem como os temas em que cada um seria digno e capaz de ter suas idéias consideradas. 
As vezes se enganava nesse julgamento. Mas compreensão nunca foi algo que fez parte das suas expectativas. Isso era raro. 
Sabia que ser cheio de certezas e convicções era algo muito reconfortante e que dificilmente alguém abriria mão. É que deslocar o próprio olhar para tentar compreender as opções do outro, é algo que pode colocar em cheque as próprias escolhas. Sabia que não era possível exigir isso de qualquer um. Paciência!!!

domingo, 27 de outubro de 2013

iSOLATED



without [e]scape
life suddenly became accelerated
quickly than i can process
left behind
lost
without reaction...


terça-feira, 23 de abril de 2013

455 – Parte I


“Saudades de você, de nós e até de mim.”



Ela derretia num ônibus que se movia como uma estufa entre o Meier e a Praça XV.
Em meio a tantos afazeres que a aguardavam do outro lado “da poça“, arrumou uma janela para pensar. Releu suas anotações e percebeu que escrevia muito nesse caminho.
Era nesse endereço da zona norte que ela guardava parte da sua tranquilidade e ia buscar quando precisava.
Sentia sua vida meio fora de controle nos últimos tempos. O zilhão de coisas a fazer pareciam a engolir, dando a sensação de sufocamento, insuficiência e incapacidade.
Sabia que não era possível ter tudo o que desejava. Nem desejar as coisas a qualquer preço. Muito menos as pessoas, que não são como bibelôs, e se importam quando são colocados numa caixa no fundo do armário.
Estava duplamente angustiada. Tinha receio da distância ter mudado algo entre eles. A insegurança que há muito não a visitava, começou a gritar nos seus ouvidos. Sentiu muita vontade de ouvir aqueles sentimentos gotejados homeopaticamente por ele em forma de palavras. Eram mais agradáveis que qualquer música que ele pudesse produzir. Foi uma profusão de interrogações em sua cabeça. O que ela significava em sua vida? Seria aquela relação real ou apenas produto da sua imaginação? Os intervalos de tempo e espaço já haviam sido maiores entre eles, mas foi a primeira vez que doeu tanto.
A outra ponta de sua angústia era uma certa raiva de si mesma por dar tanta importância a um relacionamento. Gostaria de não ter se perdido de vista. Sua vida havia mudado tanto nos últimos meses. A cada dia via seus limites se estenderem para mais adiante. Mal tinha tempo para si, quanto mais para dedicar a alguém. Não o culpava por ir embora. Ela mesma já não estava lá.
Gostava da liberdade que oferecia, tanto quanto de recebê-la em troca. Sabia que não havia nada a fazer para manter alguém em sua vida. Poderia apenas oferecer um lugar e, caso fosse confortável, o hospedado poderia permanecer ali em algum canto. Sim, Significaria que ela mesma teria que caber no centro da vida de alguém. Lhe parecia um lugar tão apertado. Sempre que se via nessa posição, necessitava expandir, arejar. Por isso precisava de espaço.
Precisava de tempo, de uma pausa. Não queria sofrer agora.  Só precisava de si mesma de volta. Queria só deixar pra lá...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Encontrar (-se)



Ela estava estafada da vida e do mundo. Quando percebeu que o estresse chegava a níveis periclitantes, decidiu tentar tirar uma folga dos seus problemas. Aceitou o convite para visitar aquele seu amigo tão querido, um dos palhaços mais sensíveis e lindos que já conhecera. A estadia incluía, além das boas companhias de sempre, farta programação de risadas,  música da boa e outras formas de sair e voltar a si e ao mundo.
E foi numa dessas madrugadas de lavar a alma, que Ela esbarrou com um típico representante dos seres humanos. Ele estava lá em algum canto do segundo bar da noite. Até onde o grau alcoólico a permitia lembrar e o som daquele rock bem cantando a deixava escutar, ele se recuperava de um daqueles grandes eventos da vida, como falecimento ou separação. Uma dessas experiências de ruptura unilateral que uma pessoa faz com a outra e, mesmo sabendo que vai ou pode acontecer um dia, ficamos muito tristes  diante da realidade ensurdecendo nossos ouvidos. Mas ele parecia muito digno, ao menos naquele momento em que se esbarraram.
Simpatizou com aquela leve fragilidade que ele deixava transparecer. Pela idade de suas filhas, ele já devia estar nos “enta” há um tempinho. Mas não parecia tão seguro de si e do mundo, com a arrogância que algumas pessoas com experiência se defendem de tudo e de todos. É como se qualquer vestígio de fragilidade fosse um grave desvio de caráter, a rachadura que faz desmoronar a fortaleza que se esforçam para acreditar que são. Ela não estava em condições de se deter muito em qualquer sofrimento, pois corria o risco de que o seu a achasse ali no meio daquela serra onde tentava se esconder. Mas não pôde deixar de notar. Apreciava muito quando encontrava alguém com essa disposição em despetalar-se diante do outro sem muitos esforços. É claro que sabia da importância de cada um construir suas defesas. Sabia que a vida mesmo exige que coloquemos nossas forças em prática. Mas achava que os escudos servem unicamente para defender de ataques. No resto do tempo só pesam. Pensava que as defesas não podem se tornar prisões que nos distanciam dos outros, criando uma falsa imagem de auto-suficiência. Sabia que a força dos seres da espécie humana vinha da sua capacidade de se compreender como pedaço de um todo. Um pedaço importante e singular, é claro, mas que sabe que a sua incompletude pode ser preenchida pelo próximo.
Mas ela sabia que essa era uma informação quase secreta. Por mais que se propagandeasse por aí que somos falhos e imperfeitos, parecia que ninguém era capaz aceitar essa ideia como natural e muito menos de achar alguma beleza nisso.
E foi por isso que este e outros momentos em que encontrava um pouco de si no outro, causavam nela tanto contentamento.

domingo, 18 de novembro de 2012

Limite



subjetivo: adj. Relativo a sujeito. 

Que existe no sujeito.


Ela estava diante daquele corpo magro e todo entrelaçado por cordas, que pedia para que ela o espancasse. Meio hesitante desferiu a primeira chicotada. O couro negro ia fazendo marcas vermelhas na pele branca e fina. Cada vez que ouvia o estalo do impacto naquelas costelas, era como se doesse nela mesma. Sentiu muita pena do menino da barba de fogo até perceber que não provocava sofrimento. Ele não só sentia prazer, como pedia mais. Em instantes, sua culpa se foi e deu lugar a uma satisfação que ela nem sabia ser capaz de sentir. Nunca achou que poderia estar numa posição tão distante da submissão e tão cheia de certeza do que queria.
Os jogos que envolviam  prazer e dor foram incorporados à relação dos dois por algum tempo. Ela gostou muito dessa brincadeira. Mas não era só a experiência intensa com o corpo que proporcionava a ele, que a atraía. Só foi perceber muito tempo depois que estar diante alguém que suplica trazia muita satisfação a Ela. Essa entonação em um pedido soava como música aos seus ouvidos. Não era uma questão de sentir-se poderosa sobre alguém, mas de estar em contato com o que há de mais intenso e íntimo em outra pessoa.  Ela só conseguiu compreender esse seu prazer em ver o outro no limite quando lembrou-se de uma inusitada noite de insônia.
Não tinha nenhum compromisso importante no dia seguinte, mas não conseguia se entender com aqueles lençóis que não eram os da sua cama. Até que apareceu uma companhia muito solícita disposta a ajudá-la. No início ficou meio desconfiada e cheia de limites e receios. Mas depois acabou gostando de todos aqueles mimos e esforços em agradá-la. Eles nunca tinham trocado mais que três palavras antes desse dia, mas é impressionante como os corpos acabaram se entendendo.
Ela recebeu tantos carinhos daquele moço das pernas longas que até esqueceu a vontade de dormir. Viu a linha do horizonte dos seus desejos puxada para mais longe de si quando percebeu toda aquela extensão em forma de pessoa estirada embaixo dela suplicando para que atendesse um desejo que parecia vir do fundo do seu ser, se é que isso existia. Sabia que aquilo não era uma ordem. E, como ela detestava ordens! Mas como poderia recusar a um pedido feito assim? Achou a coisa mais linda do mundo. Era quase uma vaidade essa mania que tinha em se deparar com o limite de alguém. Perdeu a conta de quantas vezes pediu para que ele repetisse. Poderia passar a vida a ouvi-lo dizer a mesma frase da mesma forma, com a mesma entonação. Aquela que emite quem está prestes a perder-se. Talvez só assim conseguisse também desprender-se de si. Ou talvez fosse aí mesmo que conseguia se encontrar...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012