quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Insights da insônia: o isolamento


Ficou paralisada por quase duas semanas. A maior parte do tempo permanecia estática na frente do computador. As pernas até doíam de tanto tempo na mesma posição.
Era como se ficasse encapsulada sem deixar que ninguém reparasse seu estado. Na verdade, se não tivesse acontecido outras vezes, nem ela mesma notaria a sua inércia. 
O mais estranho é que ninguém percebia mesmo. Não sabia se era porque não havia mudança no seu comportamento, se ninguém enxergava essa mudança ou se notavam e não tinham coragem de perguntar o que estava havendo.
Quando se dava conta, estava nessa hibernação. Os compromissos mais complexos eram abandonados. E, em geral, eram as provas e trabalhos que exigiam um pouco mais de dedicação. Não conseguia nem sentar para, ao menos tentar ler nada.
Ficar sozinha era difícil. Sentia medo de confrontar-se com suas angústias. Era como se seu cérebro construísse um mecanismo de defesa que a distanciasse do sofrimento, desligando as reações e a transformando num vegetal. Muitas vezes demorava para perceber que estava nesse estado. Até mesmo seu melhor amigo tinha dificuldade em ajudá-la, pois nem mesmo ele, que a conhecia tão bem, havia conseguido notar que ela estava assim.
Sentia que qualquer coisa se tornava um fardo muito pesado. As dificuldades sempre pareciam maiores quando vistas à distância que ela olhava.

Depois que passou parte do turbilhão, ficou num canto calmo, que havia conseguido achar dentro de si mesma. Pensar já não estava mais tão insuportável, quanto esteve nos últimos dias.
Só sentia uma sensação de cansaço, estafa, esgotamento. Como se o peso que estivesse carregando, fosse retirado de dentro de si. E, agora, sentia-se um pouco vazia. Talvez fosse a fome trazida pela hora do almoço.
Sentia falta daquela sensação de bater no fundo e tomar impulso para sair do buraco. Quase perdeu a esperança que de alguma hora ela viria. Na verdade, achava que o desespero que a acometia, era exatamente por não conseguir  se apoiar em nada que a fizesse voltar a ficar bem.
Tinha noção de que algo estava errado consigo, mas não sabia o que fazer.
Só conseguia ficar naquele estado de quem se encolhe e espera passar o perigo. Mas o perigo de quê afinal?
Difícil de entender, pois a coisa que mais tinha medo ultimamente era exatamente de paralisar, de não conseguir fazer suas atividades e cumprir seus compromissos.

Talvez parecesse perda de tempo ficar escarafunchando as angústias a procura de respostas. Mas achava que era como o tratamento que dói quando é preciso retirar a sujeira das feridas para que elas realmente sarem.


Talvez fosse a única forma que ela havia aprendido.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Baseado em fatos surreais: as ternuras neglicenciadas do cotidiano


Ele se escondeu atrás daquele sorriso envergonhado. Aquele que vinha acompanhado de um rubor bonito de se ver. Quando fazia isso, deixava escapar muitos fiapos de humanidade de uma forma leve, quase ingênua e invejável de tão bela. Me fez lembrar que a vida também pode ser preenchida de ternura.
Digo isso, pois vejo que passamos - não me excluo disso - muito tempo construindo e justificando nosso ponto de vista sobre a vida e elaborando formas de seguir em frente, apesar de nossas experiências negativas. E, nesse processo, nos esquecemos que a nossa existência pode ser mais leve e bonita.
E acho que, sem querer, esse mocinho acabou me dando um puxão e me lembrando dessas ternuras que estava negligencinando tanto.
Não posso negar que ele nunca tinha me passado despercebido, mas também não conseguia entender a razão de me chamar tanto a atenção. Cheguei a tentar, mas a quantidade de álcool ingerida me fez soltar várias teorizações acumuladas sobre diversos e dispersos assuntos, que nunca haviam sido reunidos numa conversa só.
 
- Nossa! Você pensa muito! 
- Eu? Que isso! - tentei escorregar.
Mas pensando bem, penso sim! 
Pensar é uma forma de lidar com o que se sente e, ao mesmo tempo,  um escapismo do sentir.

E foi pensando no que senti, que consegui entender o que enxergava de tão especial no mocinho. Foi a demonstração de que ele é capaz de enxergar as pessoas. 
Eu sempre achava que, nas vezes em que havia me elogiado, ele estivesse me paquerando. Se estava ou não, não importa. O que me salta aos olhos aqui, é que nem cheguei a cogitar a possibilidade dele estar só exercitando a sua capacidade de perceber as pessoas, apesar da sua (no caso, da minha) invisibilidade. Pode parecer uma bobagem, mas em tempos em que uma das formas mais eficientes de repressão, é a invisibilização, acho que ter por perto alguém com essa capacidade, é uma sorte e tanto!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Experiências com o corpo...

... e com o Photoshop


Rosa

Azul



 Vermelho



 Verde



 Amarelo



Roxo


 Anil



Púrpura





Baseado em fatos surreais: Flashes de memória


Seu melhor amigo ao telefone, perguntava movido por uma sutil ansiedade, quem ela levaria à festa de aniversário dele. Teve dificuldade em responder. Estava exausta. A pergunta feita por ele, fez com que seu cérebro passasse um filme com direito a comentários do diretor, sobre as últimas 24 horas de sua vida.
A fita foi rebobinando em saltos não lineares. Primeiro lembrou-se da noite anterior. Mas antes disso, havia passado o por do sol a jogar cartas com aquela garota dos cabelos avermelhados. Quando a festa começou, separaram-se por uma cerveja ou duas. Ela encontrou aquele amigo do olhar perdido, que sempre tentava se aproximar mais do que era possível. Repetindo o que já tinha acontecido algumas vezes, ele tentou lhe roubar um beijo. Ela virou o rosto para o lado ato num reflexo e viu de relance os cabelos avermelhados batendo em retirada.
Ele ficou alguns segundos a olhá-la com a expressão de quem espera uma resposta. Como não sabia muito bem o que dizer numa situação dessas, acabou fazendo o que mais gostava e o que menos tinha oportunidade, que era dizer a verdade. Embora Ela também se pegasse a fazê-lo, a incomodava bastante a postura que muitas pessoas tinham de sempre aproveitar as oportunidades de não encarar a realidade, quando esta era muito áspera. Como sua mãe a ensinara a não mentir, tinha uma longa lista de subterfúgios e eufemismos, que acabavam tendo prioridade quase sempre. Tornou-se especialista em responder somente o que fora perguntado. Dizia somente o necessário. E, na maioria das vezes era somente aquilo que as pessoas agüentavam saber. Mas essa era uma daquelas situações em que não tinha escapatória.
A reação tranqüila dele ao ouvir que seu beijo não era desejado naquela noite e sim o de outros cabelos longos, pareceu a ela um tanto formal, ou artificial, ou ambos. Mas achou digna. Deixar transparecer a falta de treino em fazer aquilo que é o mais correto, porém, mais difícil, é de uma coragem admirável. E foi em respeito à coragem do amigo, que partiu em busca de outro beijo roubado.
Quando conseguiu encontrá-la, a garota dos cabelos avermelhados estava do outro lado da festa. A leve vermelhidão artificial de seus cabelos emoldurava uma expressão preocupada. Por gestos, Ela tentou perguntar o motivo. Por razões óbvias, percebeu que aquele diálogo, por ser incompreensível, era perda de tempo. Partiu com a determinação de uma flecha em direção ao outro lado da festa.
Sua pele tinha um cheiro difícil de não notar. Era levemente adocicado, como fruta, mas fresco, como flores azuladas. Durante alguns segundos, tudo ao redor desapareceu. Os sons que saiam do círculo de músicos e a profusão de vozes que conversavam e riam, abriram espaço para aquele vácuo em que as duas se enfiaram. Ela não sentia medo ou vergonha. Estava inteira, concentrada e entregue. Todos os milhões de limites que, costumeiramente habitavam sua mente tinham acabado de virar fumaça.
Estranhou um pouco essa descomplicação. Ela nunca tivera aversão aos homens. Eles foram tudo o que ela conheceu durante a maior parte de sua vida. Havia se desgastado tanto a procura das tais “formas sublimes e humanas de relação”. Sua trajetória era tortuosa, repleta de episódios desagradáveis de toda a sorte. Mantinha uma coleção de abusos desde a infância, além de uma série de relações afetivas e sexuais descompassadas.
Todo esse acervo de experiências, fez com que Ela adquirisse uma cautela, que por vezes a aprisionava. No entanto, contraditoriamente a todas as suas defesas, a superficialidade nas relações lhe causava um profundo tédio, ou melhor, a angustiava. Era por isso, que não se conformava enquanto não conseguia despir as pessoas, que tinha oportunidade, de seus pudores e descobrir quantas camadas havia por trás daquilo que os olhos podiam ver. Sentia prazer em descobrir onde se encontravam as dores do outro. Mas não no sentido sádico. Gostava de saber onde se achava o limite do outro. O imperfeito, o inacabado, o incompleto. Aquilo que era extremamente humano.
Só assim se sentia segura para também se permitir ser vista exatamente como ela era.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Insights da insônia 5: as dores físicas


Tinha que acordar cedo na manhã seguinte, mas não conseguia dormir. Sua garganta estava prestes a se fechar. Sentia dor. Era dor na testa nos músculos e até, na garganta mesmo. Andava com muita dificuldade de se concentrar em qualquer coisa. Não se sentia assim o tempo todo, mas nos últimos dias, essas sensações andavam muito presentes. Sentia-se estafada. Era como se o dia tivesse mais compromissos do que horas. E, contraditoriamente, demorava muito para fazer qualquer coisa. Tinha dificuldade em sair de casa e em ficar lá. Também não conseguia estudar. Sua baixa concentração só permitia que lesse textos leves e de “tiro curto”.

Não conseguia relaxar. A última vez que havia se sentido à vontade, foi no dia que aceitou um convite para ir a um sarau. Não era muito íntima de todos os presentes, mas aquela atmosfera de vinho, poemas, subversão, contos e crônicas, fez com que se sentisse aceita. E, ao mesmo tempo também estava desnuda de qualquer auto-proteção e angústia.

Justo ela que tinha tanta dificuldade em se expor, que trazia tantos limites e censuras dentro de sua cabeça. Se comportava como em um palco 24 horas por dia. Sentia-se observada, apreciada, julgada, quase vigiada. Como se a única liberdade que tivesse, era a escolha do número que apresentaria. Escolhia de acordo com a platéia. E era muito reduzido o número de pessoas que tinham a capacidade de compreender o espontâneo, aquilo que não foi cuidadosamente preparado para ser apresentado, o que estava ainda em processo.

Essa grande familiaridade que somos forçados a ter com as mercadorias que apanhamos nas prateleiras dos mercados para o pronto uso, também a acometia. Fazia com que perdesse a dimensão dos processos da vida. Esquecia-se daquilo que há entre o inicio e o fim de tudo. Sua ânsia era tanta, que, às vezes, enxergava o fim muito antes de onde ele realmente se encontrava.

Estava um tanto perdida entre o querer e o fazer. O pior é que tinha dimensão disso. Mas saber de onde vem as angústias não resolve tudo nessa vida. No seu caso, somente deu início à batalha, que muitas vezes é interna, para arrumar tempo e paciência para dar a devida duração que tudo merece. Ou ainda, para fazer a negociação que leve ao mais próximo disso, sem se distanciar muito daquilo que, insuportavelmente conhecemos como “o possível”. Haja noite para tanta insônia!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Insights da insônia 2

Ruminações....



Conferia as postagens anteriores e, quando me dei conta, estava a divagar sobre o título de uma delas: A tênue linha ente o desejo e a razão. Acabei de fazer um trabalho sobre substâncias psicoativas, que - me perdoem o trocadilho- ficou uma droga! Mas serviu para me aproximar de um texto que, sem exagero, me deixou meio chapada.


Levei três dias para lê-lo. Cada parágrafo era uma porrada no cérebro! Falava da perda da autonomia do indivíduo sobre a intervenção em seu corpo e seu estado de consciência. Ele tinha como tema as drogas, mas a discussão de fundo era a alienação. Tenho que confessar, ainda não digeri os dois temas. Na verdade, desde que fiz um curso sobre alienação, volta e meia, me pego num certo deslumbramento com a teoria.

Fiquei loadeando um tempo sobre o tema. Alienação é estranhamento, apartamento, isolamento. Se eu estabeleço uma separação entre meu desejo e minha razão... hum... será que essa separação deveria existir mesmo? É que me lembrei de outra pseudo-dicotomia e... pimba! Outro dos meus raciocínios associativos. Mas vamos com calma, pra vocês voltarem para a poltrona ao meu lado.

A tal dicotomia, que me debato e, até tenho conseguido relativa estabilidade, é entre a razão e a emoção. Digo que tenho conseguido relativa estabilidade, porque a idéia da existência divorciada de ambas tem andado, por hora, afastada de mim. A formulação que consegui estabelecer para mim mesma pode até parecer óbvia para quem está lendo agora, e até para mim, HOJE. Não sei se vocês conseguem compreender como é difícil se desvencilhar daquela idéia de que é preciso ser sensato, racional, ter controle das situações, ser forte. Não são associações que se sustentem a algum questionamento. Mas até você chegar a fazer esse tal primeiro questionamento... Cada um tem seu tempo, não é?

Mas voltando à questão do desejo, foi por conta dessa reflexão que fiquei com uma certa pulga atrás da orelha. Será que o título do post daria como dada a alienação do ser e o desejo, como algo que não se pode se apropriar? Acho que pensar em uma linha divisória entre razão e desejo já expressa uma certa adesão à idéia de que os desejos devem sempre estar sob controle. Mas há uma diferença entre aderir em parte e ter uma concepção como a única possível.

E é esse questionamento que tenho regurgitado e guardado no cérebro e que acabei de servir a vocês. 
Talvez um dia vire energia ou adubo de nossas mentes.
Por enquanto, é só o prouto de mais uma noite de insônia.



domingo, 3 de julho de 2011

A tênue linha entre o desejo e a razão

Ela escrevia à esmo, para passar o tempo e espantar a insegurança. Tentava lidar com sentimentos que estavam pairando sem lugar, sem materialidade. É claro que os sentimentos não precisam ter materialidade. Sentimos e pronto! Mas, no caso dela, não chegaram a tomar forma alguma, nem de pensamento.

Ainda não sabia sobre o que queria escrever. Tantas coisas estavam perambulando por sua cabeça. Ultimamente andava indo para a cama com um livro em que mulheres contavam sobre seus desejos.  Estava muito impactada por esses relatos poéticos, pois o "desejar" era algo difícil de lidar.

Era quase sempre tenso, confuso, sem lugar. E quando conseguia, por vezes era acompanhado de culpa. Era como se precisasse de autorização para desejar. E tinha uma relação distanciada com seu próprio desejo. Demorava para percebê-lo. E,  quando o percebia, achava difícil não agir.
E ela também não gostava nada de agir por impulso. Identificava que esse não era o seu melhor “modo operante”. Optava por uma ação mais consciente. Sempre procurava dar conta de justificar seus atos, caso fosse questionada.

Estava ainda em processo de aproximação com seu desejo. Aos poucos ele estava ganhando um lugar em sua vida. Não era um processo fácil ou suave em todo o tempo. É que, ser coerente, para ela, era quase uma lei. E agir por impulso tinha praticamente um sinal de igual a abandonar a coerência.

Quando seu desejo dava as caras, não aguardava pacientemente que ela lhe dirigisse tranquilamente a uma prateleira organizada e etiquetada. Ele simplesmente vinha como boiada estourada. Ela nem tinha se acostumado a ir atrás a organizar os estragos que ele ia causando pelo caminho. E muito menos montá-lo e saborear o percurso por onde ele a levaria. Não sabia muito o que fazer quanto a isso.

Só não enlouquecia, pois já havia aprendido que a vida é processo e que está sempre em curso.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sobre certo tipo de distância...


Adriana Calcanhotto (Antônio Cícero / Orlando Morais)
Com Daniel Jobim ao piano



Passei todo o dia de ontem em casa. Agora me preparo para enfrentar o mundo. Já é hora.
Também estou meio cansada de falar comigo mesma.

Faz falta um interlocutor. Pra ser mais precisa, preciso de alguém que não demande tradução simultânea. Não tenho energia nem pra isso.
Me lembrei do meu terapeuta. Parei de vê-lo, mas ainda o considero assim. Sempre me lembro dele nos momentos difíceis e avalio se não é o caso de lembrar o caminho de volta a seu consultório.

Quando você está muito desnorteada e combalida por conta dos julgamentos às suas posturas, escolhas, forma de ser e muitas possibilidades de etc, é útil ter quem que te respeite em primeira instância. É importante ter ao alcance alguém, que não vai te dar um esporro aos berros dizendo que você está errada, que você não presta, ou se despedaçar em sofrimento por alguma decisão sua. Deveria ser o básico de qualquer relação humana, mas não é. É a vida!
E esse grau de compreensão e respeito podem ser fundamentais na vida de uma pessoa. 

Mas não é disso que se trata agora. Às vezes não é suficiente ter alguém que se dispõe a ouvir. Há momentos em que fica insuportável a necessidade de estar diante de alguém que sabe exatamente do que você está falando, porque também sente ou já sentiu o mesmo. Diminui aquela enlouquecedora sensação de solidão que o sofrimento por um problema traz. E isso se dá justamente no momento em que mais dói. É como se você estivesse só num cubículo escuro, sem nenhuma possibilidade de escapar. E, pior, sem nenhuma esperança de que isso aconteça.
Sei que vivemos na sociedade do isolamento, do medo do outro, do distanciamento dos seres humanos de sua própria “humanidade”. Não tenho grandes conclusões, nem grandes soluções imediatas.

Apenas me vejo agora, constatando essa ausência.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sobre os menininhos...

Estava pensando sobre o que levou minha mãe a se separar do meu pai-legal. E isso me levou a pensar o tipo de homem com o qual eu me casaria, moraria junto, teria um relacionamento mais cotidiano, ou algo similar a isso.

Esse pensamento surgiu quando conversa pelo telefone com um grande amigo. Ele me perguntou se minha fase de “menininhos” já havia terminado. Ele estava, ao mesmo tempo preocupado com minha felicidade e também fazendo um pouco de graça da idade das ultimas pessoas com as quais me relacionei.
E, há algum tempo, não tenho convivido com pessoas da mesma idade que eu, ou mais velhas. E é verdade que, à partir de determinado momento da minha vida comecei a abrir mão do critério idade nas relações afetivas. Passei a relacionar com pessoas mais novas do que eu por várias razões. Um pouco de insegurança, para superar o trauma de um relacionamento anterior, ou por diversão, ou por tudo isso junto.
Não me sentia culpada. Foi muito importante estar em relações, nas quais era absolutamente claro que eu tinha mais experiência e que minhas opiniões e iniciativas eram fundamentais. Estava tão chateada pelos relacionamentos anteriores, me sentindo tão questionada, apagada e insegura da minha capacidade de tomar decisões, que acabei curvando a vara para o outro lado.

O contato com esses "menininhos"  me ensinou muito sobre mim mesma. No conjunto,  essas relações me ajudaram a desconstruir definitivamente a idéia de que a minha felicidade possa depender ou ser entregue na mão de outra pessoa.

Na verdade, às vezes, sinto falta de dividir responsabilidades. Essa é a parte ruim da coisa. É um tanto desgastante e, até solitário vez ou outra, pensar sozinha sobre uma relação que envolve dois. Se eu tenho mais experiência em uma questão, não tenho problema em pensar e propor algo. O que desgasta é ser sempre assim. Será que alguém agüenta isso? Como os homens conseguem?

E, pensando com mais calma, acho que eles não conseguem. É desumano. É claro que todo equilíbrio é sempre bem vindo.

Quanto à pergunta do meu amigo, não sei se a faixa etária afetiva vai subir ou não. Como diz a Renatinha, a idade do namorado "é um dado irrelevante da realidade".
Mas enquanto não encontro parceria pras decisões afetivas, prefiro usar minha experiência até esbarrar no limite que tem uma só cabeça pensando.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Somos Tod@s bombeir@s

Na tarde do dia 06 de junho, as mulheres presentes na ALERJ se reuniram e decidiram se organizar, tanto para potencializar a luta pela libertação dos bombeiros presos, quanto para dar uma resposta ao Governador Sérgio Cabral, que havia atacado o movimento chamando os bombeiros de irresponsáveis ao levar as mulheres e crianças para ocupar o QG. 

A fala dele estava impregnada da concepção machista de que as mulheres são frágeis, devem ser protegidas, não tem vontade própria e, principalmente, não devem lutar ao lado dos homens.
Por isso, foi escrito o manifesto abaixo.
MANIFESTO DAS MULHERES
LUTAR NÃO É CRIME, LUTAR É UM DIREITO!!
NÓS MULHERES, BOMBEIRAS, ESPOSAS, MÃES, FILHAS E FAMILIARES REUNIDAS NA TARDE DO DIA 06 DE JUNHO, DECIDIMOS IR A PÚBLICO DENUNCIAR AS ATROCIDADES E A BRUTALIDADE COM QUE O GOVERNADOR SERGIO CABRAL VEM TRATANDO O MOVIMENTO DOS BOMBEIROS E SUAS FAMÍLIAS.
CONSIDERAMOS QUE OS BOMBEIROS E BOMBEIRAS SÃO HERÓIS DO POVO QUE MERECEM TER CONDIÇÕES DIGNAS DE VIDA E TRABALHO, POR ISSO, NOSSA LUTA É LEGTÍMA!!
ACREDITAMOS QUE OS 439 PRESOS SÃO INOCENTES E MERECEM TER UM TRATAMENTO DIGNO E HUMANO.
EXIGIMOS A IMEDIATA LIBERTAÇÃO DOS 439 PRESOS E O ATENDIMENTO DE TODAS AS REIVINDICAÇÕES.
- PELA LIBERTAÇÃO DOS 439 PRESOS !
- SALÁRIO LÍQUIDO INICIAL DE R$2.000 (SOLDADO)
- CHEGA DE GRATIFICAÇÃO! PELO AUMENTO REAL DO SALÁRIO !






Mulheres na Luta pela libertação dos bombeiros presos

sábado, 21 de maio de 2011

Depoimento da professora Amanda Gurgel do Rio Grande do Norte


Em uma audiência Pública, durante a greve dos professores do Rio Grande do Norte, a professora Amanda Gurgel, denuncia a situação precária da educação pública.





Amanda Gurgel é professora no RN e membro da CSP-Conlutas e militante do PSTU

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Porque solidariedade aos que lutam é sempre necessária...

Abaixo assinado pelo arquivamento do processo

criminal contra os 13 do Consulado 



Os abaixo-asinados exigem do Governo Federal e do Governo do Estado do Rio de Janeiro o imediato arquivamento do processo criminal preparado contra os 13 manifestantes que foram injustamente presos na noite do dia 18 de março, durante o protesto pacífico realizado no Consulado dos EUA na cidade, por ocasião da visita de Barack Obama ao Brasil.

Nomes dos acusados:

Rafael Rossi - Professor do estado, dirigente sindical do SEPE
Pâmela Rossi - Professora do estado
Thiago Loureiro "Tibita" - Estudante de Direito da UFRJ, funcionário do Sindjustiça
Yuri Proença da Costa - Carteiro dos Correios
Gualberto Tinoco "Pitéu" - Servidor do estado e dirigente sindical do SEPE
Gabriela Proença da Costa - Estudante de Artes da UERJ
Gilberto Silva - Eletricista
Gabriel de Melo Souza Paulo - Estudante de Letras da UFRJ, DCE UFRJ
José Eduardo Braunschweiger - Advogado
Andriev Martins Santos - Estudante UFF
Vagner Vasconcelos - Movimento MV Brasil
Maria de Lurdes Pereira da Silva - Dona de casa
J. P. - Estudante Colégio Pedro II

Os signatários


Clique no link e Assine o abaixo-assinado