quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sobre certo tipo de distância...


Adriana Calcanhotto (Antônio Cícero / Orlando Morais)
Com Daniel Jobim ao piano



Passei todo o dia de ontem em casa. Agora me preparo para enfrentar o mundo. Já é hora.
Também estou meio cansada de falar comigo mesma.

Faz falta um interlocutor. Pra ser mais precisa, preciso de alguém que não demande tradução simultânea. Não tenho energia nem pra isso.
Me lembrei do meu terapeuta. Parei de vê-lo, mas ainda o considero assim. Sempre me lembro dele nos momentos difíceis e avalio se não é o caso de lembrar o caminho de volta a seu consultório.

Quando você está muito desnorteada e combalida por conta dos julgamentos às suas posturas, escolhas, forma de ser e muitas possibilidades de etc, é útil ter quem que te respeite em primeira instância. É importante ter ao alcance alguém, que não vai te dar um esporro aos berros dizendo que você está errada, que você não presta, ou se despedaçar em sofrimento por alguma decisão sua. Deveria ser o básico de qualquer relação humana, mas não é. É a vida!
E esse grau de compreensão e respeito podem ser fundamentais na vida de uma pessoa. 

Mas não é disso que se trata agora. Às vezes não é suficiente ter alguém que se dispõe a ouvir. Há momentos em que fica insuportável a necessidade de estar diante de alguém que sabe exatamente do que você está falando, porque também sente ou já sentiu o mesmo. Diminui aquela enlouquecedora sensação de solidão que o sofrimento por um problema traz. E isso se dá justamente no momento em que mais dói. É como se você estivesse só num cubículo escuro, sem nenhuma possibilidade de escapar. E, pior, sem nenhuma esperança de que isso aconteça.
Sei que vivemos na sociedade do isolamento, do medo do outro, do distanciamento dos seres humanos de sua própria “humanidade”. Não tenho grandes conclusões, nem grandes soluções imediatas.

Apenas me vejo agora, constatando essa ausência.

2 comentários:

  1. A minha voz na minha cabeça às vezes também me enche o saco.
    Ter a companhia de alguém, dentre outras coisas, é ótimo pra me distrair dessa voz chata da consciência.

    Solidão é uma merda. O mais curioso pra mim é pensar na quantidade de pessoas sós nesse mundo, e que as juntando poderia-se solucionar o problema (ou não).

    O bom é saber que solidão oscila. Já já a coisa melhora! ;)

    E terapia SEMPRE é bom!

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  2. Sou adepta do "milita que passa"...rsrsrsrs

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