segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Baseado em fatos surreais: Não é você, sou eu!




Era para ser só um sexo bom. Sem grandes expectativas de futuro. Só bom.
Não teve paciência para fazer muitas perguntas na noite em que se conheceram. Sabia que era um futuro engenheiro e que estava aberto a aventuras, pois esbarrou com ele perdido em uma festa no instituto de artes, um dos  seus favoritos territórios de caça de tempos idos. Ele fez companhia a ela até a noite terminar, o que só aconteceu num dos bares do “submundo” da cidade.  Ela achou que não pararia por aí, mas ele insistiu em deixar o restante da história para outro dia. Estava sem carro, tinha de acordar cedo no dia seguinte e mais algum blá blá blá, que ela não teve cognição suficiente para questionar, pois já eram quase cinco da manhã. Não valia à pena tentar convencê-lo a dizer a verdade. Deu o número do telefone. Paciência!
Após algumas ligações não atendidas (ela era distraída), e compromissos inadiáveis de última hora (e muito ocupada), eles finalmente conseguiram combinar algo. Dessa vez, ela não tinha muita certeza se queria terminar a noite com ele, então o levou ao bar neutro, que ia com aqueles com os quais não tinha certeza.
Após duas doses, ela não queria mais desperdiçar tempo ali. Era meio pragmática com essas coisas. Achava que precisavam de algum conforto. Na verdade, ELA precisava e também achava que merecia. Mas acabou se deixando levar até ele parar o carro em uma rua pouco movimentada. Achou isso muito uma "coisa de garoto", mas preferiu pensar que ele só não queria ser clichê. Ficaram pouco tempo. Ela achou que não precisava, nem queria passar por alguma situação constrangedora. Pediu para que fossem para um lugar menos público. E ele disse que sim com aquela cara de quem ganhou um prêmio. 
Ele era realmente uma graça. Poderia ter sido muito divertido. E estava sendo, até que sua mente foi invadida. Ela não acreditava. Era como se o futuro engenheiro tivesse sido expulso da cama pelo outro. Devia ser só ansiedade, pensou ela. E fechou os olhos, respirou fundo, fez uma pausa e começou tudo de novo.
Nem cinco minutos depois, lá estava ele de novo na cama entre ela e o engenheiro. Era ridículo! Justo ele que vinha fugindo tanto dela ultimamente sem ao menos explicar a razão! Por que aparecer em seus pensamentos numa hora tão inapropriada?! Respirou fundo novamente, pensou em outra coisa. O engenheiro era tão fofo!
Mais cinco minutos depois ela decidiu ir embora. A presença do outro era inegável naqueles lençóis. Começou a sentir o cheiro de seus cabelos. Trazia à tona sensações que se tornaram apenas lembranças... Mas se era pra fazer sexo com dois homens, ambos deveriam, ao menos estar fisicamente presentes!
Não lhe ocorreu nada mais elaborado do que dizer que não estava "bem emocionalmente". Não era uma mentira, mas não convenceu em nada o engenheiro. Mas o que é que se diz numa situação dessas?! Ela era adepta do “sempre a verdade”, mas achou que não cabia inteira naquela situação. Se sentiu muito esquisita por não dizer como se sentia realmente. Não era a maior especialista em cabeças masculinas, mas teve certeza que ele ficaria chateado se soubesse a história toda. Achava uma bobagem esse tipo de reação, mas não estava com muita paciência para o estresse que acarretaria uma decisão de enfiar a verdade goela abaixo dele.
Optou por uma saída rápida, sem dar a ele muito tempo para elaborar alguma teoria e faze-la mudar de idéia, pois ela não ia.
Nunca mais a procurou. Cruzaram-se outro dia andando pelo campus. Ele a cumprimentou só porque era inevitável. Ela percebeu que ele ainda não estava pronto para saber o que realmente havia acontecido naquela noite. A achava uma maluca.  Melhor assim. A isso ela já estava acostumada. Ia dar menos trabalho. A obviedade a entediava, mas sabia que não esbarrava todos os dias com pessoas que queriam e mereciam ir além

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