quinta-feira, 12 de julho de 2012

Insights da insônia: Spring is coming


"- Quem toma conta de você?
- Eu mesma.
- Tá! Mas quem te coloca no colo quando a vida dói?
- Ah! Quem estiver por perto.
- Hum...
- Eu sei que sou mais lenta, mas também sei que estou por perto sempre."


Me cansei da angústia. Me cansei da dureza do cotidiano. Cansei também da tristeza, que tem me feito companhia há algum tempo.
Tenho sentido falta da felicidade e da sutileza. Também tem me acompanhado o desejo de que uma explosão multicolorida tome o lugar desse cinza esmaecido que parece filtrar minha visão como uma lente pessimista.

A angústia e a tristeza às vezes não se esgotam. Só delas nos cansamos. Sofrer toma tempo e energia. E dá vontade de fazer outras coisas da vida.

Sou contra essa cruzada que existe contra a tristeza, sob a acusação de que ela é contraproducente. Mas mesmo achando importante se permitir estar triste, isso não tem me bastado.

Essa sensação de que a vida está lá fora e eu estou perdendo tempo, trancada num quarto escuro, tem me acompanhando muito.

A essa altura você deve estar perguntando: "E aí, o que você vai fazer?"

Bem, eu também. Não faço a mínima ideia. Não tenho nenhuma conclusão brilhante mesmo!

Só posso dizer que, no fundo sempre soube que poderia me levantar e ir onde quisesse.

6 comentários:

  1. Daniele, não é bom estar triste. Isso é fato. Porém, é humano ficar triste. Faz parte de ser gente, de ter coração. Desumano é o que se vende em todas as catequeses cotidianas, de que a vida são sorrisos, sempre. Sorrisos pasteurizadamente brancos. Não cultuo a tristeza, mas também não acho que não estou vivendo, quando estou triste. Pelo contrário, às vezes, por estar triste, minha sensibilidade se aguça, minha empatia com outros torna-se maior. Ou seja, fico até 'mais vivo', nestas horas. A solidão, também, por vezes, cai bem, se nos permite introspecção e reflexão paciente - práticas tão impossibilitadas como condenadas na vida que somos forçados a levar. O problema é cultuar a tristeza como uma forma de felicidade. Isso é, no mínimo, trocar os valores e, não raro, loucura mesmo. Porém, não exite alegria mais intensa do que a que nos vem depois de uns dias tristes. A visita que chega, geralmente considerada um estorvo, é também aquela que abraçamos com gosto, se nos sentimos sozinhos. Estava precisando compartilhar isso com alguém. Sei que você entende e não vai me considerar um depressivo profissional pelo que acabei de escrever. Sabes que eu não sou isso. É apenas uma forma menos artificialmente paspalha, menos sorridentemente asséptica de encarar a vida. Que é bonita, também, já dizia o Gonzaguinha.

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  2. Sei lá... eu não acho a tristeza contraproducente... pelo menos não mais que qualquer sentimento. O eterno perigo está em deixá-los tomar conta e influenciar as ações. Emoções são pra serem sentidas. A vida é pra ser pensada.

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    1. Queridos, não quis escrever uma ode à tristeza. Só quis comentar de leve que há um verdadeiro combate à esse sentimento, como se fosse proibido sentí-lo. Não quis me alongar discorrendo sobre a medicalização da tristeza que alimenta a indústria farmacêutica que lucra horrores com a venda de anti-depressivos, quando as pessoas sofrem com as contradições que essa sociedade doente cria.
      Queria escrever sobre a inflexão que se dá depois de sofrer até o que é necessário e não o que é possível.

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  3. Dê uma olhada nessa matéria, Dani:

    http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=05089

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